Devido a constante demonstração de falta de informação dos portugueses em relação à situação da prostituição de brasileiras em Portugal e na Europa já que este assunto é abordado sempre de forma pejorativa e depreciativa em relação as mulheres brasileiras recomendo aos portugueses a leitura do seguinte texto para enriquecer seu conhecimento sobre este assunto.
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..."Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem novinhas e gentis, com cabelos muito pretos e compridos pelas costas; e suas vergonhas, tão altas e tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as nós muito bem olharmos, não se envergonhavam...".
..."E uma daquelas moças era toda tingida de baixo a cima, daquela tintura e certo era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha tão graciosa que a muitas mulheres de nossa terra, vendo-lhe tais feições envergonhara, por não terem as suas como ela..."
A reprodução desse trecho da Carta a El Rei D. Manuel escrita por Pero Vaz de Caminha em 1º de Maio de 1500, é primeira peça de comunicação feita sobre o Brasil, a qual demonstra que a exploração sexual do Brasil começou já na época do descobrimento, as palavras de Caminha enaltecendo as qualidades da índia brasileira ressaltando seus atributos físicos (com destaque para a genitália depilada “vergonhas tão limpas das cabeleiras) e seu comportamento desinibido (“de nós muito bem olharmos, não se envergonhavam”). Além desta peça escrita, somam-se desenhos e gravuras posteriores, as pinturas de artistas da época, que povoam em grande número os nossos livros de história e galerias de arte, os quais sempre exploraram essa imagem da mulher nua, disponível e exótica. Pelo que pode-se perceber, o turismo sexual já era objeto de
divulgação mesmo nos primórdios do País.
ESCRAVAS MADE IN BRAZIL
Fernando Carrazedo Feijó
Centro de Paula Souza - São Paulo - Brasil
Flávio Mário de Alcântara Calazans
UNESP/Cásper Líbero
"O tráfico de mulheres e a prostituição de milhões delas no mundo já alcançam níveis de exploração só comparáveis aos piores momentos do comércio de escravos do século 16." (Jornal da Tarde - Mulheres: tráfico como no século 16 - 30/11/2000)
"Dados apresentados pela Fundação Helsinque de Direitos Humanos, organização não-governamental (ONG) com sede na Finlândia, indicam que o Brasil é o maior exportador de mulheres escravas sexuais da América do Sul. Segundo a ONG, existem hoje 75 mil mulheres brasileiras trabalhando em cabarés, saunas e outras modalidades de casas de prostituição na União Européia." (Jornal da Tarde - Artigos - As escravas brasileiras - Luiza Nagib Eluf - Procuradora de Justiça do Ministério Público de SP - 25/04/2001)
O Tráfico de seres humanos, principalmente crianças e mulheres, cresce a cada dia. A rede de tráfico fica a cada dia mais sofisticada e falta de ação das autoridades ajuda nesse desenvolvimento. Fome, poucas oportunidades de trabalho, falta de educação e cultura, motivam mulheres a tentar a sorte na prostituição ou a busca de empregos no exterior, com salários em dólares.
Os aliciadores colocam anúncios em jornais, montam empresas de representação ou agências de modelos, buscando chamar a atenção de mulheres e adolescentes ambiciosas, propõem empregos no exterior, com altos salários. Muitas são enganadas e vão parar em outros países onde serão obrigadas a se prostituir, vivendo sempre sobre ameaça, tem seus passaportes confiscados por seus compradores, ficando a mercê da violência em um país em que sequer conhece a língua. Outras sabem e vão para poderem conseguir dinheiro para melhorarem suas vidas e de seus familiares.
"Dentro do Brasil também há muita exploração organizada da prostituição,
comércio de pessoas, escravidão. Crianças são vendidas, leiloadas, rifadas para fins sexuais. No exterior, somos conhecidos como o país do turismo sexual - com meninas de tenra idade, ou mesmo meninos a preço barato para os estrangeiros."(Jornal da Tarde - Artigos - As escravas brasileiras - Luiza Nagib Eluf - Procuradora de Justiça do Ministério Público de SP - 25/04/2001)
O tráfico de seres humanos é a terceira atividade ilícita mais rentável no mundo, só perdendo para o tráfico de drogas e armas. As organizações criminosas buscam no Brasil, maior alvo na América Latina, mercadorias para serem comercializadas em toda a Europa, os principais estados brasileiros onde são feitos os aliciamentos Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e capitais do Norte e cidades litorâneas do Nordeste, onde a miséria se contrapõe a riqueza e belezas desses lugares, criando o ambiente ideal para que as mulheres e crianças caiam nas redes do tráfico.
Os principais países receptores dessas escravas brancas são: Espanha, Portugal, Itália, Holanda e Alemanha, onde essas mulheres serão obrigadas a trabalhares em casas noturnas e até nas ruas, para poderem pagar suas contas pendentes com os aliciadores e "proprietários".
Para o Suriname eu vou - Uns dos esquemas que mais funcionam no Brasil, no tráfico de mulheres é a rota via Suriname, que foi matéria de capa da revista Istoé em 1996, ganhado o 1º Prêmio Simón Bolivar de Jornalismo, concedido pelo Parlamento Latino-americano, com a reportagem "Escravas do sexo", publicada em 5 de junho desse ano.
O Suriname é a primeira parada de uma movimentada rota de tráfico de
mulheres brasileiras para a Europa. Nos últimos três anos, Paramaribo se
consolidou como entreposto de Prostitutas. (...) 500 brasileiras integram o
mercado do sexo no Suriname." (Istoé - Prostitutas made in Brazil - 05/06/1996)
"As garotas levadas ao Suriname fazem um estágio de três meses no país e, depois, passam um período similar na Holanda. Vendidas a donos de boates e casas de prostituição holandesas por US$ 1 mil, elas são posteriormente da mesma transação na Espanha e na Alemanha.(...)
Antes de Terminar a etapa do Suriname, as garotas são avaliadas para prosseguir carreira na Europa. Representantes de casas de prostituição na Holanda viajam a Paramaribo para conferir as qualidades de suas contratadas. A primeira orientação dada às garotas é tirar toda a roupa. Depois, com ajuda de um boneco inflável, elas aprendem técnicas de massagem erótica. Recém ainda aulas sobre o manuseio de chicotes, algemas e outros apetrechos sadomasoquistas. (...) Todas ganham no corpo um número tatuado, para facilitar a identificação."(Istoé - Prostitutas made in Brazil - 05/06/1996)
Tal treinamento prepara a escrava sexual com artefatos sadomasoquistas para atuarem tanto como ativas-sádicas batendo no cliente (Dominatrix), ou como passivas-masoquistas apanhando (Submissives), ao gosto dos fregueses representando qualquer dos dois papéis quando solicitada, um treinamento de profissional do sexo sofisticada.
A facilidade que essas mulheres entram para escravidão, se tornando um
pesadelo em suas vidas, pois é quase impossível se livrar de seus donos, muitas fogem ou voltam em caixões para suas famílias.
"A maioria dessas moças pensa que a prostituição é considerada crime no Brasil. Não o é. O Código Penal só pune a exploração da prostituição realizada por terceiros, mas não incrimina a conduta da prostituta. No entanto, a moral vigente condena de tal forma esta prática que é comum se acreditar na proibição legal."(Jornal da Tarde - Artigos - As escravas brasileiras - Luiza Nagib Eluf - 25/04/2001)
Estas prostitutas reforçam a imagem de “Paraíso Sexual” que o Brasil vem
construindo por décadas em todo o mundo, são um mostruário do Prostiturismo que o cliente poderá vir buscar no Brasil.
Desta forma, o Turismo Sexual ou Prostiturismo é uma atividade que mobiliza cifras astronômicas em dólares, e que vem crescendo, tendo o Brasil um lugar de destaque no cenário internacional atraindo atenções dos segmentos masculino heterossexual e homossexual, ambos com preferência pelo abuso de menores brasileiros e brasileiras.
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